tiago bahia
"Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe / Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei..." (A.Sater)
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Tahiti fenomenal
Tem coisas que deixam a gente de queixo caído, né? A partir do 2º minuto o queixo despenca! Nooosssaaa!!!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Limites e possibilidades...
Pensando em "limites e possibilidades", uma conversa que tenho mantido há um tempo, tenho percebido como é interessante que reconheçamos previamente que precisamos definir alguns limites nas relações que estabelecemos, sob pena de nos depararmos com os limites que a própria vida nos impõe, normalmente com muita dor. Mas ainda que delimitemos um campo de nossas vidas e reconheçamos efetivamente que somos limitados de um lado, de outro as possibilidades continuam sendo infinitas...!! Só pensando...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Juvená e as barracas de praia de Salvador e arredores
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| Juvená (foto: autor desconhecido) |
Já perdi a conta de quantos aniversários fez desde que nasceu a polêmica acerca das barracas de praia de Salvador, Lauro de Freitas e Paranama. A discussão é confusa e, para além dos diretamente envolvidos, a angústia já chegou em todos. Segundo o Portal da Metrópole (http://bit.ly/cjLiiw), nos próximos dias teremos mais 350 barracas demolidas por determinação judicial.
No último domingo (15/08/10) estive com o famoso Juvená, cuja barraca também está na lista das demolições. Trata-se de um figura pitoresca na história soteropolitana e que é muito querido por muitos! Para quem não sabe, Juvená tem graduação em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia mas, segundo ele, fez questão de formar-se, entregar seu diploma ao pai e dizer: "Eis aqui o que o Senhor queria, agora vou fazer o que eu quero, abrir minha barraca de praia". Fantástico!
A Barraca do Juvená¹, espaço de reunião de intelectuais, políticos e demais divertidos cachaceiros, enrolados e mentirosos contadores de histórias se constitui como um grande 'barato' em Itapuã! Entre as pedidas da barraca, o caldo de sururú² (o melhor que eu conheci até hoje) e o Vermelho frito são campeões! A cerveja é sempre gelada e o garçon 'Primo' faz a graça dos frequentadores.
Fará muita falta esse espaço sagrado - e profano - caso os 'queridos lobistas' que estão movimentando a 'reformulação' da orla de Salvador e arredores consigam a sua demolição fisica. Sim, porque trata-se de algo que ficará na nossa memória para sempre!
Segue abaixo uma das imagens eternas da Barraca do Juvená.
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| 'Uma tarde em Itapuã' (foto: Vania Sales) |
¹ 'Estrada do Farol', Rua J, s/n° - Praia de Itapuã. Tel.: 3375-4049 Horário: 8h/20h
² Leia-se "lá ele" na seqüência, de acordo com normas linguítisticas baianas bem descritas em post anterior - http://tiagobf.blogspot.com/2010/07/estudo-etimologico-do-la-ele.html
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Nesse momento, só posso dizer que tenho me esforçado para não ser tão indignado com esses absurdos soteropolitanos. Acabava de sair do posto de combustíveis depois de ter trocado o pneu do meu carro por conta de um buraco localizado na pista da esquerda defronte à entrada da Av. Sâo Rafael. Depois de muito xingar, me deparei com meus "colegas de pneu furado", esses do carro com a tampa da mala aberta e o do carro que está estacionado na frente dele. Passei da indignação para a admiração quando percebi que o motorista do carro da frente estava trocando o pneu do carro de trás. Assim for, Salvador ainda pode dar certo. "Ê João, agora é pra valer / A aposentadoria espera por você..."!!! #votemoscerto
domingo, 25 de julho de 2010
Estudo Etimológico do "lá ele"
O “lá ele” é uma das mais importantes expressões do idioma baianês, mais especificamente do dialeto soteropolitano baixo-vulgar. Segundo os léxicos, a expressão significa “outra pessoa, não eu” (LARIÚ, Nivaldo. Dicionário de baianês. 3ª ed. rev. e ampl. Salvador: EGBA, 2007, s/n).
A origem da expressão é ambígua. Alguns etimologistas atribuem seu surgimento às nativas do bairro de São Caetano, enquanto outros identificam registros mais antigos no falar dos moradores da cidade baixa. O certo, porém é que o “lá ele” desempenha papel fundamental em um dos aspectos mais importantes da cultura da primeira capital do Brasil – a subcultura urbana do duplo sentido.
Desde a mais tenra infância, os naturais da Soterópolis são treinados para identificar frases passíveis de dupla inter pretação. Da mesma forma, os soteropolitanos aprendem desde cedo a engendrar artimanhas para que seu interlocutor profira expressões de duplo sentido.
Assim, as pessoas vivem sob constante tensão vocabular, cuidando para não fazer afirmações que possam ser deturpadas pelo interlocutor. Para indivíduos do sexo masculino, por exemplo, é vedado conjugar na primeira pessoa inocentes verbos como “dar”, “sentar”, “receber”, cair”, “chupar” etc. O interlocutor sempre estará atento para, ao primeiro deslize, destruir a reputação de quem pronunciou a palavra proibida.
Como antídoto para a incômoda prática, o “lá ele” surgiu como uma ferramenta indispensável na comunicação do soterpolitano. Assim, o indivíduo que falar algo sujeito a interpretações maliciosas estará a salvo se, imediatamente, antes da reação de seu interlocutor, falar em alto e bom som “lá ele!”
Por exemplo, qualquer homem, por mais macho que seja, terá sua orientação posta em dúvida se falar “Neste Natal comi um ótimo peru”. Contudo, se sua frase for “Neste Natal comi um ótimo peru, lá ele!”, não haverá qualquer problema. No mesmo diapasão, confira-se:
(i) se um colega de trabalho enviar um e-mail perguntando “vai dar para almoçar hoje?”, não se pode redarguir apenas “Sim”; deve-se reponder “Vai dar lá ele. Vamos almoçar”;
(ii) se, na pendência do pagamento de polpudos honorários, um advogado perguntar ao outro “Já recebeu?”, a resposta deverá ser “Recebeu lá ele. Já foi pago”;
(iii) ou, ainda, se alguém tiver a desdita de nascer no citado bairro do Pau Miúdo, o que poderá transformar sua vida em um interminável festival de chacotas, deverá sempre valer-se da ressalva: “eu sou do Pau Miúdo, lá ele”.
Para melhor compreensão da matéria, reproduz-se abaixo um exemplo real, ocorrido no último domingo durante a transmissão do épico triunfo (vitória é coisa de chibungo, lá ele) do glorioso Esporte Clube Bahia sobre o Atlético de Alagoinhas:
- Locutor: “Subiu o cartão amarelo?”
- Repórter: “Subiu o amarelo e o vermelho.”
- Locutor: “Mas você está vendo subir tudo!”
- Repórter: “Lá ele!”
Note-se que o “lá ele” pode sofrer variações de gênero e número, de acordo com a palavra que se pretende neutralizar. Se, antes de uma sessão do TJBA (Tribunal de Justiça da Bahia), alguém perguntar “Você conhece os membros da turma julgadora?”, deve-se objetar com veemência: “Lá eles!”. Ou se o cidadão for à Sorveteria da Ribeira e lhe perguntarem “Quantas bolas o senhor deseja?”, é de todo recomendável que se responda “Duas, lá elas, por favor”.
A cultura duplo sentido oferece outros fenômenos da comunicação interpessoal. Veja-se, a título de ilustração, o sufixo “ives”. Em Salvador, não se pode falar palavras terminadas em “u”, principalmente as oxítonas. Independentemente de sexo, idade ou classe social, o indivíduo poderá ser mandado para aquele lugar (lá ele). A pronúncia de uma palavra que dê (lá ela) rima com o nome popular do esfíncter (lá ele) será prontamente rebatida com a amável sugestão. Para fazer face ao problema, a vogal “u” passou a ser costumeiramente substituída pelo sufixo “ives”.
Destarte, o capitão da Seleção de 2002 é tratado como “Cafives”; o Estádio de Pituaçu virou “Pituacives”; o bairro do Curuzu se tornou “Curuzives”; a capital de Sergipe sói ser chamada de “Aracajives”; e as pessoas que atendiam pela alcunha de Babu, com frequência utilizada na Bahia para apelidar carinhosamente pessoas de feições simiescas, há muito tempo passaram a ser chamadas de “Babives”.
Fonte: r2cpress.com.br
Desde a mais tenra infância, os naturais da Soterópolis são treinados para identificar frases passíveis de dupla inter pretação. Da mesma forma, os soteropolitanos aprendem desde cedo a engendrar artimanhas para que seu interlocutor profira expressões de duplo sentido.
Assim, as pessoas vivem sob constante tensão vocabular, cuidando para não fazer afirmações que possam ser deturpadas pelo interlocutor. Para indivíduos do sexo masculino, por exemplo, é vedado conjugar na primeira pessoa inocentes verbos como “dar”, “sentar”, “receber”, cair”, “chupar” etc. O interlocutor sempre estará atento para, ao primeiro deslize, destruir a reputação de quem pronunciou a palavra proibida.
Como antídoto para a incômoda prática, o “lá ele” surgiu como uma ferramenta indispensável na comunicação do soterpolitano. Assim, o indivíduo que falar algo sujeito a interpretações maliciosas estará a salvo se, imediatamente, antes da reação de seu interlocutor, falar em alto e bom som “lá ele!”
Por exemplo, qualquer homem, por mais macho que seja, terá sua orientação posta em dúvida se falar “Neste Natal comi um ótimo peru”. Contudo, se sua frase for “Neste Natal comi um ótimo peru, lá ele!”, não haverá qualquer problema. No mesmo diapasão, confira-se:
(i) se um colega de trabalho enviar um e-mail perguntando “vai dar para almoçar hoje?”, não se pode redarguir apenas “Sim”; deve-se reponder “Vai dar lá ele. Vamos almoçar”;
(ii) se, na pendência do pagamento de polpudos honorários, um advogado perguntar ao outro “Já recebeu?”, a resposta deverá ser “Recebeu lá ele. Já foi pago”;
(iii) ou, ainda, se alguém tiver a desdita de nascer no citado bairro do Pau Miúdo, o que poderá transformar sua vida em um interminável festival de chacotas, deverá sempre valer-se da ressalva: “eu sou do Pau Miúdo, lá ele”.
Para melhor compreensão da matéria, reproduz-se abaixo um exemplo real, ocorrido no último domingo durante a transmissão do épico triunfo (vitória é coisa de chibungo, lá ele) do glorioso Esporte Clube Bahia sobre o Atlético de Alagoinhas:
- Locutor: “Subiu o cartão amarelo?”
- Repórter: “Subiu o amarelo e o vermelho.”
- Locutor: “Mas você está vendo subir tudo!”
- Repórter: “Lá ele!”
Note-se que o “lá ele” pode sofrer variações de gênero e número, de acordo com a palavra que se pretende neutralizar. Se, antes de uma sessão do TJBA (Tribunal de Justiça da Bahia), alguém perguntar “Você conhece os membros da turma julgadora?”, deve-se objetar com veemência: “Lá eles!”. Ou se o cidadão for à Sorveteria da Ribeira e lhe perguntarem “Quantas bolas o senhor deseja?”, é de todo recomendável que se responda “Duas, lá elas, por favor”.
A cultura duplo sentido oferece outros fenômenos da comunicação interpessoal. Veja-se, a título de ilustração, o sufixo “ives”. Em Salvador, não se pode falar palavras terminadas em “u”, principalmente as oxítonas. Independentemente de sexo, idade ou classe social, o indivíduo poderá ser mandado para aquele lugar (lá ele). A pronúncia de uma palavra que dê (lá ela) rima com o nome popular do esfíncter (lá ele) será prontamente rebatida com a amável sugestão. Para fazer face ao problema, a vogal “u” passou a ser costumeiramente substituída pelo sufixo “ives”.
Destarte, o capitão da Seleção de 2002 é tratado como “Cafives”; o Estádio de Pituaçu virou “Pituacives”; o bairro do Curuzu se tornou “Curuzives”; a capital de Sergipe sói ser chamada de “Aracajives”; e as pessoas que atendiam pela alcunha de Babu, com frequência utilizada na Bahia para apelidar carinhosamente pessoas de feições simiescas, há muito tempo passaram a ser chamadas de “Babives”.
Fonte: r2cpress.com.br
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